Recentemente a grande mídia brasileira tem dado certa atenção à determinadas plantas psicodélicas. Não é de se surpreender que lá fora o caso seja parecido. Recentemente o New York Times soltou uma matéria falando dos benefícios do uso da psilocibina em testes com variadas pessoas.

O artigo a seguir é um comentário sobre isso que saiu no reality sandwich.*
______________________________________________________________

Psicodélicos voltaram à frente da pesquisa psiquiátrica com os últimos estudos dos efeitos da psilocibina sendo tema de primeira página do New York Times. Um estigma negativo sempre esteve vinculado a qualquer coisa relacionada ao mundo “psicodélico”, mas essa
recente reportagem pelo Times trouxe alguma legitimidade mainstream à esse estudo e a esmagadora natureza positiva das descobertas.

A matéria começa com uma experiência conduzida pela Johns Hopkins medical school, que estudou os efeitos da psilocibina, o agente psicoativo dos cogumelos mágicos, em pacientes com câncer. Um dos sujeitos testados foi o Dr. Clark Martin que sofria problemas de depressão em sua luta no tratamento contra o câncer através de sessões de quimioterapia. Ele relata que sua sessão de 6 horas sob efeito do cogumelo foi uma metarmofose que imediatamente o ajudou a superar sua depressão e o ajudou a desenvolver como um todo sua visão sobre a vida, pra melhor.

A pesquisa não parou com o louco terminal. Dada a intrigante semelhança entre experiências alucinógenas e revelações místicas produzidas através de medicação, cientistas como Roland Griffiths da Johns Hopkins procuraram estudar efeitos alucinógenos em pessoas aparentemente sem sérios problemas físicos ou emocionais. Um dos estudos conduzidos por Griffith envolveu 36 pessoas que nunca tiveram experiências alucinógenas, e pra fazer disso uma experiência “duplamente cega” eles mediram os efeitos em grupos que foram dados tanto placebo, psilocibina ou outra droga como ritalina, nicotina ou cafeína. Os monitores da experiência não foram informados pra quem era dado o quê, então eles não poderiam prever os resultados. Dois questionários foram aplicados 2 e 14 meses após o estudo, mostrando que os que receberam psilocibina expressaram “melhora nos sentimentos em geral e no comportamento,” e “satisfação com suas vidas” e classificaram a experiência como “um dos 5 mais significativos eventos de suas vidas”.

Entrevistas com temas como o do Dr. Martin e outros que descrevem qualidades búdicas das experiências com seus “egos e corpos desaparecendo” enquanto eles se sentiam parte de algo como “um estado maior de consciência” no qual “inseguranças e frustrações pessoais desaparecem,” e experimentado isso como uma “mudança completa de personalidade”.

A partir da semelhança que essas reportagens mostram com experiências religiosas e xamânicas, Dr. Griffiths diz que “parece que o cérebro humano é conectado pra nos submeter à essas experiências “unificadoras”, talvez por causa de alguma vantagem evolutiva”.

Um estudo semelhante conduzido por Dr. Charles S. Grop da UCLA pesquisou os efeitos da psilocibina em loucos terminais, e como esse “remédio existencial” ajuda “pessoas prestes à morrer a superar medo, pânico e depressão”. Segundo Grob, “sob influência dos alucinógenos, indivíduos transcendem sua identificação primária com seus corpos e vivenciam uma experiência em estados livre de ego antes da hora da morte física de fato, e voltam com uma nova perspectiva e profunda aceitação de uma constante da vida: a mudança.”

Com a reemergencia de estudos como esse do Dr Griggith e Dr Grob, e com imparcialidade, reportagens do mainstream como o artigo do New York Times, nós esperançosamente vemos uma revalorização e mudança, do uso e classificação do Schedule 1 das drogas.

*matéria original em inglês.

Anúncios