Para quem não está familiarizado, o cientista e autor Fritjof Capra pode parecer mais um desses pensadores “holísticos”, que pegam de tudo um pouco, formando uma massaroca místico-científica. Um pouco do ocidente, um pouco do oriente, teorias científicas e pronto. Mas isso por si não se refere em nada ao assunto tratado por ele em seus livros, só serve para erigirmos mais um esteriótipo superficial e ignorante, enquanto  o verdadeiro assunto levantado por ele  nos passa desapercebido. À exemplo de François Jullien, Capra olhou para as filosofias antigas da ásia (principalmente Índia e China) para, enxergar nossa própria cultura. Cito aqui Jullien na  introdução de Fundar a Moral:

Sabe-se bem que aquilo que periodicamente ameaça a filosofia é precisamente a perda do desafio, quando ela se deixa confinar em seu debate. Ora, a “China”, aqui, serve para tomar distâncias, para pensar a partir de fora. – François Jullien

E justamente, no bojo de nossa própria cultura – seja no meio secular-laico “irreligioso” ateu e cientificista, seja no criacionismo teísta –  os princípios que regem nossa visão do mundo, do universo parecem ser os mesmos: um mundo de ruptura do ser humano com a natureza.  É o que Alan Watts chama de “modelo cerâmico” do universo. O universo como produto, um objeto manufaturado, “criado” por algo ou alguém. Esse pensamento tem profundas raízes nas origens das grandes religiões monoteístas ocidentais, como o judaísmo e o cristianismo. Decartes e Newton foram os precursores da era moderna e secular desse pensamento. Um mundo mecânico, fragmentado, objetificado, que de nada tem de semelhante com o mundo orgânico do Tao, ou com o constante ciclo natural de nascimento e morte do hinduísmo cujo transcendental a que se refere se parece muito com organismos vivos, sua dinâmica numa cadeia infinita de relações na rede da vida.

A partir de insights sob efeito de psicodélicos como o LSD-25, Capra se inspirou para escrever o “Tao Da Física”. Algo em comum com outros que passaram por esse blog. E é do filme Ponto de Mutação (Mindwalk, 1990) os trechos abaixo, devidamente legendados em português.

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